terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Para Cazarré, 'Agora Deus vai te pegar lá fora' é um convite


Memórias de um padre subversivo
resenha do romance "Agora Deus vai te pegar lá fora", do jornalista gaúcho Carlos Moraes,
por Lourenço Cazarré

No início dos anos 70, condenado por crime contra a segurança nacional, um padre é jogado na cadeia pública de uma cidadezinha da fronteira gaúcha que, além de outras excentricidades, tem cinco quartéis do Exército. Na verdade, melancólicas guarnições que, há duzentos anos, esperam um ataque dos argentinos. Felizmente, depois da recente quebradeira, os gardelons não têm mais dinheiro nem para a brilhantina, quanto mais para os rojões.

Em cana, o padre José Silveira lamenta que a cidadezinha pródiga em espadas e canhões não tenha um zoológico. O problema é que todos os desocupados – e eles são inúmeros na sonolenta cidade pampeana – nada tendo de melhor para fazer dirigem-se em romaria à cela do “prisioneiro político”. Como gaúchos, claro, não buscam nem benção, nem rezas ou conselhos. Querem papear. Querem, em torno de um chimarrão, contar histórias e, principalmente, vantagens.

É claro que um romance com este enredo só poderia se transformar numa hilariante sequência de pequenas histórias, de causos de gente modesta perdida numa cidadezinha modorrenta. Este é o mote de Agora Deus vai te pegar lá fora, delicioso romance do jornalista gaúcho Carlos Moraes, recentemente lançado pela Record. Assassinos ou vigaristas, beatas ou abigeatários (ladrões de gado), todos os personagens têm a simpatia e a compreensão do autor. Enfim, um livro transbordante de humanidade numa época marcada por uma escrita raivosa e vulgar.

Embora indiferente às lutas políticas da época, o padre José Silveira é condenado depois de minuciosa investigação de sua vida. Os arapongas nada encontram de desabonador na vida afetiva do religioso, que não teve amantes e nem resvalou, como tantos, para a pedofilia. Porém, pesa muito contra ele um sermão em que - como lamentou um amigo - ele “botou Moscou no meio”.
É uma história que se passa, ao fim da segunda guerra, na então capital da ficção soviética. O povo russo, ao ver soldados alemães aprisionados, começa a xingá-los. Porém, quando notam que não passam de meninos, jogam pedaços de pão para eles. Mas continuam a vaiar os oficiais.
Entre os juristas de farda, aquele sermão é prova inconteste de que o padre é um inimigo da pátria, um subversivo, adjetivo de amplíssimo espectro, em voga nos anos 70, que serviu para mandar muita gente para a tortura.

Enjaulado, o padre Silveira trata de repassar sua vida. Descobre que a modestíssima missão que lhe foi dada no seminário – redimir a humanidade inteira – é, digamos, infactível. Pede seu desligamento da batina e fica aguardando o seu julgamento pelo Tribunal Militar de Brasília. Enquanto isso, toma chimarrão, joga muito futebol e torce desbragadamente por um time – o mais vagabundo - de Porto Alegre.

De leitura agradabilíssima, Agora Deus vai te pega lá fora é um livro com começo, meio e fim. E muito bem escrito. Trata-se de obra que, certamente, não agradará doutorandas de literatura. É um livro para ser saboreado pelos que, como aquele velho catacego de Buenos Aires, acham que a literatura serve apenas para divertir e entreter. Enfim, para os que sabem que nem livros nem sermões mudam o mundo ou as pessoas.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Aldo e Cazarré, encontro de guris



Lourenço Cazarré e um tratado sobre guris, por Aldo Brasil
Nestes dez contos de "Ilhados — Tratado Sobre Guris", ambientados na região Sul do Brasil, Lourenço Cazarré, premiado autor de literatura juvenil, traça o perfil de uma sociedade perplexa, voltada para dentro de si mesma.
A obra, ganhadora do Prêmio Açorianos de Literatura como melhor livro de contos, mostra também que vida de guri não é só jogar bola e tomar banho de rio. É preciso um olhar mais atento para descobrir que os meninos também têm seus momentos de ansiedade que cercam as novas descobertas.
Há horas em que é preciso conviver com a intolerância, o medo. Enfim, Lourenço Cazarré fala sobre como a infância marca a vida de todas as pessoas, sobre como as lembranças pungem o presente, sobre como é ser humano.


"Ilhados — Tratado Sobre Guris", de Lourenço Cazarré, com ilustrações de Roberto Weigand. Editora Saraiva, 80 páginas, R$ 23,80.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Miguela e Outras Estórias



Janaína Moraes é quem assina o blog Outras Estórias (http://aindamaisestorias.blogspot.com), onde ela conta para toda a web um pouco sobre o que achou de tudo o que anda lendo. Como quem compartilha impressões sobre suas leituras com os amigos.
Do tipo blog que faz a gente querer ler!

... e foi lá que encontramos um depoimento pra lá de bacana do livro 'A misteriosa morte de Miguela de Alcazar', pela Editora Bertrand, do nosso autor Lourenço Cazarré.

Então, aqui está 'A misteriosa morte' por Janaína Moraes - ou detetive J.Moraes, como preferir:

"(...) Este é o primeiro romance policial que leio e por conta dele quero ler outros. A trama é extremamente envolvente, engraçada e leve.
O personagem principal, Campestre, é um jornalista que teima em assassinar a gramática. Um dia, ao sair de casa em seu fusca 68 amarelo, conhecido como "Revolucão de Maio", passa em frente a rodoviária e observa um tumulto. Não, este não é o fato principal, então vou pulá-lo.
(...) Ao chegar na redação, após o sabão de seu chefe, recebe uma ordem, cubrir um tal Congresso Internacional de Escritores de Histórias Políciais. "Furada", pensou Campestre, mas ordem de chefe não se discute. Parte ele para o local a fim de acompanhar o tal Congresso.
Lá, encontra com grandes nomes da Literatura Policial e um presunto. Miguela de Alcazar y Casas de Bourbon morreu de morte matada ou morrida?

Ao final de muitas investigações, do jeitinho brasileiro, em um jantar, o delegado anuncia que a falecida, morreu 3 vezes. Durante investigações, descobre-se que todos os presentes tem motivos de sobra para ter assassinado a velha escritora: inveja, uma aposta ridícula... Acompanhem o final no livro. Dizem que os escritores do sul são bons com as letras, este livro comprova esta tese. Lourenço Cazarré é a prova disso."

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Ronaldo e Altair juntos em outro Continente


A Revista Continente - é uma publicação da CEPE (Companhia Editora de Pernambuco) – feita com maestria pela editora Mariana Oliveira, o Conselho Editorial e toda a equipe. Direto de Santo Amaro, Pernambuco. Êh Brasil grande!

Coisa boa ter a oportunidade de ler sobre nosso autor, Altair Martins, em um veículo como esse. Coisa boa ter o premiado autor Ronaldo Correia de Brito ('Galiléia', Prêmio São Paulo de Literatura. Categoria: Melhor ivro do Ano) como um leitor atento e também dedicado divulgador do que se produz também aqui no sul, lá nas terras de cima.

segue o trecho _palavra após palavra:
(...) Recomendado por Ronaldo Correia de Brito na sessão Bússola, A parede no escuro (Record, 254 páginas, 30 reais) é o primeiro romance do escritor gaúcho Altair Martins, já reconhecido como uma revelação na literatura por seus três livros de contos Como se moesse ferro (1999), Dentro do Olho Dentro (2001) e Se choverem pássaros (2002). Duas vezes vencedor do Prêmio Guimarães Rosa, organizado pela Rádio France Internationale, em 1994 e 1999, Altair na sua mais recente obra aparece com um tom mais desiludido e chega a considerá-la “amarga”. Se o porquê da indicação de Ronaldo Correia de Brito ainda não ficou claro, valem mais as palavras do escritor pernambucano:

"Gosto de livros que incomodam, provocam transtorno. Altair Martins transforma em narrador cada um dos seus personagens. Todos se narram. De início, ficamos confusos, mas a desorientação passa ligeiro. Sentimos como se um carro tivesse passado por cima de nós", conclui.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Mais um a desvendar o caso Miguela de Alcazar


No blog Amigos de Pelotas, o economista Marcos Macedo, que assina a coluna de crítica literária, trouxe o caso da Misteriosa morte de Miguela de Alcazar à tona:

"(...) 'A Misteriosa Morte de Miguela de Alcazar', novo livro de Lourenço Cazarré, é uma sátira aos romances policiais. Às vezes, usa de um humor que, baseado em estereótipos, dificilmente agradará a todos os leitores. É um humor que aqui no próprio blog Amigos de Pelotas já causou polêmica, quando Cazarré escreveu um post satirizando a escolha do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016. Muitos leitores acreditam que esse tipo de humor não tem graça; apenas dissemina o rótulo e o preconceito.

Os pontos altos do livro são as caricaturas dos escritores policiais, as alfinetadas que aplicam uns nos outros, e os diálogos que travam e que refletem sobre literatura.

Após a morte de Miguela de Alcazar, o livro toma ares de peça de teatro. Funciona bem. Dá para imaginar os atores contracenando, entrando e saindo do palco, como naquelas comédias cheias de personagens, estilo Toma Lá Dá Cá.

Poderia mesmo ser um texto para o teatro, desde que fossem suprimidos alguns capítulos iniciais, quando o leitor é apresentado a Campestre Campelo, o repórter gaúcho, que curiosamente estudou Radiotécnica na Escola Técnica de Pelotas.

Aqui, o autor quebra uma das regras clássicas da literatura, enunciada por Tchecov: se um revólver aparece em cena, ele fatalmente terá de disparar. As peripécias iniciais de Campelo, até ele receber do editor do jornal a missão de cobrir o Congresso de Escritores, pouco importam para o desenvolvimento da trama do livro. A explicação para isso talvez esteja na forma original como o livro foi publicado, como folhetim, ao longo de 20 semanas, num jornal de Brasília. Nesse caso, talvez tenha sido necessário apresentar mais extensamente o personagem Campestre Campelo, para fixá-lo na mente do leitor.

Dessa maneira, o livro, que já discutia a literatura nos diálogos entre os escritores policiais, acaba gerando outra reflexão, sobre os limites entre os gêneros romance, folhetim e teatro.

Se Cazarré é bom na sátira, no conto ele é excelente. É uma pena que “O inferno traz em si”, “Meia encarnada dura de sangue”, e outros tantos contos simples e fabulosos, profundos e retumbantes, não estejam disponíveis e que, por isso, sejam atualmente tão pouco lidos."

Para ler a resenha na íntegra, clique no título do post e conheça um pouco mais do blog Amigos de Pelotas.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

da série carinho embrulhado para presente


o mimo de Natal da AMS de Ana Santeiro é colorido com cores - muitas! - da escala Pantone-Massarani

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Mais da Noite do Livro

A noite de ontem foi um brinde à produção literária do sul do país.
Grandes talentos foram homenageados em uma cerimônia apresentada com maestria pelo jornalista Roger Lerina - que fazia as vezes de mestre de cerimônias e DJ, com seu notebook. Sim, ele foi também responsável pela trilha do evento, com uma incrível seleção em MPB - Caetano Veloso, Arnaldo Antunes ... começando a noite com uma canção ainda inédita de Richard Serraria em parceria com Zeca Baleiro. A seleção de músicas teve também a literatura como tema. A apresentação de Lerina foi também toda costurada por sketches de mágicos gaúchos, tendo como protagonista da noite, o LIVRO.

Além das categorias literárias - conto, crônica, ensaio, infantil, infanto-juvenil, poesia, narrativa longa e categoria Especial - foram também premiadas Melhor Capa e Melhor Projeto Gráfico.
Ah! e os jurados também selecionaram seis destaques na área de literatura: Editora e Livraria, Mídia Digital, Projetos de Incentivo, Promoção e Divulgação da Literatura em Porto Alegre, Mídia Impressa, Rádio e TV.
Muita gente talentosa produzindo e divulgando boa literatura!

Nota da A* ainda estamos aguardando a foto oficial dos vencedores da noite.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Muitas palmas, mais palmas e palmas e meia

No palco Altair Martins entre Sergius Gonzaga e José Fortunatti

E então mais palmas, assovios, abraços, sorrisos e muita comemoração: Altair Martins foi o grande vencedor do Prêmio Açorianos de Literatura esta noite.
Com sua 'Parede no Escuro' conquistou o Prêmio Açorianos nas categorias Narrativa Longa e Melhor Livro do Ano.
A torcida era imensa!
Não faltaram agradecimentos aos leitores, à sua família, à Márcia Ivana, sua orientadora da tese de Mestrado - também muito saudada por todos! - e à UFRGS, que recebeu seu romance com orgulho e dedicação; e a nós aqui da Agência que estávamos ali no burburinho, bem pertinho do palco, com um sorriso de orelha a orelha.
Um grande ano, uma grande noite!

Nota da A* estamos em busca dos créditos desta imagem "pescada" na internet - quem souber, apite. Digite, comunique, avise e colocamos aqui.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Um convite digno de Prêmio

Amanhã é a grande noite de divulgação e entrega do Prêmio Açorianos de Literatura 2009, no Teatro Renascença em Porto Alegre.
O Prêmio Açorianos é o mais importante prêmio de Literatura da cidade de Porto Alegre.

Altair Martins é finalista na categoria Narrativa Longa com o romance 'A Parede no Escuro' - já laureado este ano com o Prêmio São Paulo de Literatura 2009, o maior prêmio literário do país, na categoria Romance de Estreia.
Com o seu primeiro livro, 'Como se moesse ferro', Altair conquistou o Prêmio Açorianos de Literatura no ano de 2000.

Em sua categoria, concorrem:
A PAREDE NO ESCURO, de Altair Martins (Editora Record)
O PROFESSOR DE BOTÂNICA, de Samir Machado de Machado (Não Editora)
UMA LEVE SIMETRIA, de Rafael Bán Jacobsen (Não Editora)

sábado, 12 de dezembro de 2009

Caso: Miguela de Alcazar


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Ronize Aline do Prosa e Verso desvenda - de forma brilhante! - o caso 'Miguela de Alcazar'.

Livraria com gostinho de passeio de férias

Em sua primeira visita ao Rio de Janeiro, o pequeno João Francisco, passou bons momentos no espaço dedicado ao público infantil da Livraria da Travessa do Shoppping Leblon. Pela foto já se vê: por ali livro tem gostinho de diversão!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

É hoje


A noite de hoje tem clima de brinde no ar!
Com a edição de número 18 pra lá de pronta e com um site novinho em bites a Revista Ficções hoje comemora mais um lançamento.
Aqui na Agência comemoramos em dose dupla, já que a edição traz também o conto 'Os remos' do nosso autor Altair Martins.
O espaço OI Futuro do Flamengo é cenário desta comemoração com o pessoal da editora 7 Letras, da Estação das Letras, da Decriação, responsáveis pela revista.
Para quem ainda não sabe ou quer saber mais: a revista Ficções é editada desde 1996 com o que há de melhor na literatura brasileira. Apostando em novos nomes e diferentes vozes, criando desde então um panorama riquíssimo da literatura contemporânea.
A revista tem versão online e impressa diferenciadas. A versão impressa vai para os pontos de venda a cada 4
meses. Sempre com textos inéditos de autores consagrados e também com uma seleção de contos de maior destaque no site.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Mais Aplauso(s) para Cazarré

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A misteriosa morte de Miguela de Alcazar, de Lourenço Cazarré em uma resenha de Taylor Diniz (http://tailordiniz.zip.net) para a Revista Aplauso.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Prêmio Açorianos de Literatura divulga finalistas

imagem do blog oficial do Prêmio Açorianos

A Coordenação do Livro e Literatura divulgou os finalistas da 16ª edição do Prêmio Açorianos de Literatura. Concorrem nesta edição obras publicadas entre janeiro de 2008 e junho deste ano.
Destacam-se nesta edição obras como
"A Parede no Escuro" (categoria Narrativa Longa), de Altair Martins, "Operação Condor: O Sequestro dos Uruguaios" (categoria Especial), de Luiz Cláudio Cunha, "Trocando em Miúdos" (categoria Conto), de Luiz Paulo Faccioli e "Transpoemas" (categoria Infantil), de Ricardo Silvestrin.
A divulgação dos vencedores acontecerá no dia 14 de dezembro, em Porto Alegre, no evento Noite do Livro, ocasião que também será conhecido o Livro do Ano, cujo autor receberá R$ 10 mil.
No ano passado, o prêmio principal foi dividido entre Luís Augusto Fischer e Rafael Guimaraens, autores de
"Machado e Borges e Outros Ensaios Sobre Machado de Assis" e "Teatro de Arena: Palco de Resistência", respectivamente.

fonte: versão online da da Livraria da Folha.

Para ler a matéria na íntegra clique no link no título do post

Agência da Palavra de olho no Oi Futuro

Com a curadoria da Estação das Letras sob a batuta de Suzana Vargas, a Oi patrocinou o evento que, após a Feira de Frankfurt, todos esperávamos por aqui: Livro@Futuro.com
Foram 3 dias de debates, mesas-redondas e workshops com muita gente bacana: Heloísa Buarque de Hollanda, Lucia Riff, Manya Millen, Fábio Sá Earp, Carlo Carrenho, Rui Campos, Murilo Marinho, Álvaro Costa e Silva e os meninos da Confraria do Vento, Mário-André e Vitor Paes - isso só para dar uma ideia das tardes que estivemos ligadíssimas.
Tudo sobre o mundo digital e seus efeitos no mercado literário e vice-versa e versa-e-vice.


Aqui e no Twitter da Agência iremos repassar algumas das frases que escutamos por lá


a dica: Oi Futuro Ipanema fica na Visconde de Pirajá, 54.